sábado, 2 de maio de 2009
PROCESSO DE RESTAURAÇÃO DO MERCADO PÚBLICO
A idéia de restauração consolidou-se em 1989, quando foi realizado um seminário para discutir e examinar a situação do Mercado Público. Esta ação pretendia definir quem e como restaurar o prédio. Na década de 1990 foi elaborado e realizado o Projeto de Restauração do Prédio do Mercado, que visava resgatar a imagem deste importante patrimônio cultural com o objetivo de otimizar as suas funções de comércio, cultura, lazer, sociabilidade e religiosidade na capital gaúcha.
Para realização de tamanho projeto, formou-se uma equipe multidisciplinar, com o intuito de promover um estudo sobre o Mercado Público antes de começar a reforma. Acreditava-se que as modificações a serem feitas no prédio deveriam estar de acordo com as características e funções sociais, arquitetônicas e econômicas que o Mercado adquiriu ao longo do tempo. Importante ressaltar a preocupação que a equipe de restauro teve com a parte “humana” do Mercado, em estudar as pessoas que vivem ou viveram parte de sua vida naquele espaço. Foram realizadas importantes pesquisas durante o projeto, como forma de subsidiar a definição de ações que definiriam um novo perfil ao prédio.
As obras de recuperação do Mercado iniciaram em setembro de 1991, com a fixação de paredes e a reforma do telhado de uma área no andar superior, entre a Praça XV e a Borges de Medeiros. Já no início de 1992, a equipe do restauro deu início às obras que visavam à recuperação do prédio e redimensionamento do seu uso, buscando um melhor aproveitamento do espaço.
O segundo pavimento também recebeu modificações. Está dedicado a restaurantes, lojas de artigos especializados e serviços diversos; conta com três praças internas para alimentação e eventos. A ligação entre os dois pavimentos hoje se faz através de escadas rolantes, dois elevadores e quatro escadas fixas. A integração entre os dois pisos foi um dos objetivos a ser alcançado com a restauração do prédio.
O Mercado Público Central renovado na sua imagem original, com o complemento e conforto proporcionado pela nova cobertura de estrutura metálica cobrindo o pátio central, dignificou um dos mais belos cartões postais da capital gaúcha. De 1990 a 1997, o Mercado passou pela mais importante intervenção em sua estrutura desde sua edificação. O Mercado Público ficou com uma imagem renovada perceptível ao público freqüentador.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
2a visita ao projeto Vozes do Mercado
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Escola Estadual Dantro Filho realiza a 2º visita no projeto de educação patrimonial Vozes do Mercado
terça-feira, 28 de abril de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
O Bará do Mercado
O Mercado Público não é um espaço restrito ao comércio, também tem grande relevância para as religiões de matriz africana. Essa importância explica-se por acreditarem que ao centro do edifício está assentado o Orixá Bará, que, dentro do panteão africano, é a entidade que abre os caminhos, o guardião das casas e cidades e representa o trabalho e a fartura. “Assentar” significa fixar o orixá em determinado objeto através de práticas rituais específicas. Este objeto – chamado pelos praticantes da religião de ocutá - foi enterrado no chão do Mercado, exatamente no seu centro, significando que o orixá está ali, podendo ser visitado, cultuado e receber oferendas dos adeptos da religião.
Há duas versões para a origem do assentamento, a primeira diz que o Bará foi assentado no centro do Mercado pelos negros que construíram o prédio, sendo esta uma prática comum para atrair a prosperidade comercial. A outra versão atribui ao Príncipe Custódio a iniciativa de assentar o Bará no início do século XX. Não há consenso entre os praticantes de religião e estudiosos sobre o assunto. Seja como for, ambas as versões acenam, por um lado, para a importância original do Mercado Público, enquanto território de negros, e para a ocupação do espaço com o passar dos anos pelos portugueses e membros de outras etnias; e, por outro lado, para a crença que vigora no meio afro-religioso gaúcho, segundo a qual, a longevidade do Mercado Público e sua manutenção centenária, apesar dos incêndios nele ocorridos, devem-se ao Bará que não somente protege o espaço físico, seus trabalhadores e transeuntes, mas também é a fonte de axé e proteção para os seus fiéis e crentes.
No ritual de iniciação de um indivíduo na religião de matriz africana, o primeiro local a ser visitado é Mercado Público, devido à importância que o Bará tem para o iniciado, já que ele abre os caminhos e também porque significa o início de todas as coisas. Este ritual é chamado de passeio, e é presente em todas as religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul. As floras são também atrativos para que os afro-religiosos freqüentem o Mercado Público. Flora é um estabelecimento especializado em comerciar produtos e artigos afro-religiosos. No Mercado há quadro delas, cada uma localizada nas entradas do Mercado, sempre à esquerda
Além da prática específica do “passeio” realizado no Mercado, diariamente várias pessoas vêm visitá-lo para receber a força mística do “axé” que está no seu centro. É no Mercado Público também que, geralmente, os pais-de-santo compram os produtos necessários para a realização dos rituais. A própria compra desses alimentos reveste-se de importância, pois ao se comprar no Mercado está se levando junto com os alimentos o “axé”, ou força mística, do Bará que está assentado no prédio. Por fim, o “axé” do Mercado é o mais forte da cidade, já que é o mais antigo.



